Poemas da Idade Média e séc. XV

Cantigas de Amigo

 

Mendinho

 

Ermida de São Simeão

Estava eu na ermida de São Simeão,
cercaram-me as ondas que tão altas são!

eu esperando o meu amigo!
eu esperando o meu amigo!

Estando eu na ermida diante do altar,
cercaram-me as ondas grandes do mar:

eu esperando o meu amigo!
eu esperando o meu amigo!

Cercaram-me as ondas que tão altas são!
remador não tenho nem embarcação:

eu esperando o meu amigo!
eu esperando o meu amigo!

Cercaram-me as ondas do alto mar;
não tenho barqueiro e não sei remar:

eu esperando o meu amigo!
eu esperando o meu amigo!

Remador não tenho nem embarcação;
morrerei formosa na imensidão:

eu esperando o meu amigo!
eu esperando o meu amigo!

Não tenho barqueiro e não sei remar
morrerei formosa no alto mar:

eu esperando o meu amigo!
eu esperando o meu amigo!

Xosé Quintas Canella, Eloy e Anxel, grupo galego (1978)

Natália Correia, Amália Rodrigues & Ary dos Santos (dizem e cantam) “Cantigas d’amigos” (LP 1970)

Lista das cantigas contida no vídeo:

01 – Vim esperar o meu amigo (Bernaldo de Bonaval) – Ary dos Santos e Amália
02 – Vem comigo irmã (Fernando Esguio) – Natália Correia
03 – Perigosas elas são (Afonso X de Castela e de Leão, o “Sábio” – Ary dos Santos
04 – Ah quisesse Deus (Dom Dinis) – Amália
05 – Senhora que bem pareceis (Dom Dinis) – Ary dos Santos
06 – … E pede-me agora o que não devia (João Garcia de Guilherme) – Amália
07 – O rapinante (João Airas, de Santiago) – Natália Correia
08 – Uma pastora delgada (Dom Dinis) – Ary dos Santos e Natália Correia
09 – Lá vão as flores (Paio Gomes Charinho) – Amália
10 – Nem por rei ou infante, eu me trocaria (Dom Dinis) – Ary dos Santos
11 – Sejamos como toda a gente (João Garcia de Guilhade) – Natália Correia
12 – Ermida de São Simeão (Mendinho) – Amália (20’50”)
13 – Ai Dona Feia foste-vos queixar (João Garcia de Guilhade) – Ary dos Santos
14 – Amores eu tenho (Pero Meogo) – Amália e Natália Correia
15 – Alegre eu ando (Nuno Fernandes Torneol) – Natália Correia

Para ouvir outras versões:

 

http://cantigas.fcsh.unl.pt/versaomusical.asp?cdcant=861&cdvm=106

http://cantigas.fcsh.unl.pt/versaomusical.asp?cdcant=861&cdvm=144

http://cantigas.fcsh.unl.pt/versaomusical.asp?cdcant=861&cdvm=257

http://cantigas.fcsh.unl.pt/versaomusical.asp?cdcant=861&cdvm=379

http://cantigas.fcsh.unl.pt/versaomusical.asp?cdcant=861&cdvm=386

 

Outra cantiga de amigo para ouvir: “Mia irmana fremosa”

 

João Airas de Santiago

 

Pelo souto do Crescente

(Pastorela)

 

Pelo souto do Crescente

uma pastora vi andar,

muito afastada das gentes,

erguendo a voz a cantar,

em sua saia cingida

quando a luz do sol nascia

nas margens do rio Sar.

 

E as aves que voavam

quando rompia o alvor,

os seus amores entoavam

pelos ramos de arredor.

Não sei de quem lá estivesse

que o pensamento pusesse

se não em coisas de amor.

 

Ali estive muito quedo,

quis falar e não ousei;

disse-lhe, por fim, a medo:

“Senhora, falar-vos-ei,

se me quiserdes ouvir,

e se melhor vos servir,

ordenai e eu partirei.”

 

“Senhor, por Santa Maria,

ide-vos, deixai-me só.

Ver-vos partir preferia

deste lugar onde estou;

pois quantos aqui chegarem,

dirão, se nos encontrarem,

mais do que aqui se passou.”

In Cantares dos trovadores galego-portugueses

(Versão de Natália Correia)

Ler mais no site: http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=974&pv=sim

Para ler e ouvir mais cantigas medievais, consultar o site da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Poemas do século XV

 

João Roiz de Castel Branco

 

Cantiga sua, partindo-se

Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhũs por ninguem.

Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d’esperar bem
que nunca tam tristes vistes
outros nenhũs por ninguem.

In Cancioneiro Geral

Vitorino – do disco “Leitaria Garrett” (LP 1984)

Canção de Adriano Correia de Oliveira

Música de João Barros Madeira
Jorge Tuna e Jorge Godinho (guitarra)
José Niza e Durval Moreirinhas (viola)

Do disco COIMBRA ORFEON of PORTUGAL